3 de abril de 2006

Revelado: Vítimas do Reino Unido do campo de tortura da Guerra Fria

Ian Cobain

The Guardian

Fotografias: Martin Argles

Tradução / Fotografias de vítimas de um programa secreto de tortura, operado por autoridades britânicas durante os primeiros anos da guerra fria, foram publicadas pela primeira vez após acobertadas por mais de 60 anos. As imagens mostram homens que sofreram meses de fome, privações, agressões e exposição ao frio extremo em uma série de interrogatórios realizados em centros de tortura do Departamento de Guerra do Reino Unido, na Alemanha Ocidental pós-guerra.

Alguns morreram por inanição ou espancamentos, enquanto soldados britânicos alegaram terem torturado suas vítimas com aparelhos medievais, recuperados de uma prisão da Gestapo. Os homens que aparecem nas fotografias não são nazistas, mas suspeitos de serem comunistas, presos em 1946, acusados de "apoiarem a União Soviética", uma nação aliada dos britânicos até 18 meses antes.

Aparentemente, acreditando ser inevitável o conflito direto contra a URSS, o Departamento de Guerra buscou recolher informações sobre o exército soviético e seus métodos de inteligência. Dezenas de mulheres também foram aprisionadas e torturadas, sob a suspeita de serem comunistas ou ex-colaboradoras do regime nazista.

No dia da publicação das fotos, Nick Harvey, porta-voz do Partido Liberal Democrata, disse que é "tarde demais para responsabilizar os torturadores, mas não tarde o suficiente para o Ministério da Defesa reconhecer seus crimes."

Sherman Caroll, da Fundação Médica para Cuidados de Vítimas de Tortura, disse que as autoridades britânicas deveriam se desculpar e compensar os sobreviventes. "A sugestão de que a Grã-Bretanha não aplicou tortura em seus inimigos durante a Segunda Grande Guerra e no período imediato pós-conflito, considerada uma prática ineficiente, é um mito propagandeado por longas décadas", ele disse. "O fato de que aconteceu deve ser reconhecido".

The MoD dismissed the calls, saying questions about the interrogation centres were a matter for the Foreign Office.

Declassified Whitehall papers show that members of the Labour government of the day went to great lengths to hide the ill-treatment, in part, as one minister wrote, to conceal "the fact that we are alleged to have treated internees in a manner reminiscent of the German concentration camps".

Quase 60 anos depois, as fotografias, até então guardadas em segredo de Estado, foram reveladas. Quatro meses antes elas foram removidas de um relatório policial que investigava a má conduta de soldados em um destes centros, próximo de Hanover. Pouco tempo depois elas foram liberadas ao The Guardian sob o Ato de Liberdade de Informação.

Although the file was in the possession of the Foreign Office, the pictures were removed at the request of the Ministry of Defence. They have finally been released after an appeal by the Guardian. The photographs were taken in February 1947 by a Royal Navy officer who was determined to bring the torture programme to an end. Pictures of other victims, taken by the same officer, appear to have vanished from the Foreign Office files.

Meanwhile documents about a secret interrogation centre which the War Office operated in central London between 1945 and 1948, where large numbers of men are now known to have been badly mistreated, are still being withheld by the Ministry of Defence. Officials say the papers cannot yet be released because they have been contaminated with asbestos.

Não está claro, no entanto, se as pessoas que aparecem nas fotos se recuperaram das agressões. Também não está claro, analisando os documentos agora disponíveis, quando de fato se encerram tais práticas de tortura, comandadas diretamente pelo Estado britânico, na Alemanha pós-guerra ocupada pelos aliados.